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O cooperativismo popular no Brasil surge no início do século XX no sul do Brasil com o trabalho de padres jesuítas junto a pequenos agricultores, visando uma melhoria nas condições de vida dessas famílias. A experiência da construção de uma cooperativa de crédito com agricultores do Rio Grande do Sul foi um marco neste período. E o Projeto Esperança, organizado pela diocese de Santa Maria - RS, é um bom exemplo. O trabalho desenvolvido com os pequenos agricultores da região possibilitou, além de uma melhoria de qualidade de vida, a organização de grupos em outras regiões do país. Anualmente, no mês de julho, é realizada uma feira onde agricultores brasileiros e de paises vizinho (Uruguai, Argentina, Paraguai) se reúnem, trocam experiências e vendem seus produtos. Esta feira existe há dez anos e é uma referência nacional do cooperativismo popular.
Na região urbana o processo se deu mais recentemente. Na década de oitenta com lei de parcelamento do solo e o fechamento do Banco Nacional de Habitação, houve um aprofundamento da crise habitacional. Os movimentos de luta pelo direito à habitação adotam o modelo de mutirão, como principal ferramenta de construção habitacional e organização política. Com o seu crescimento, e com a possibilidade de ampliação da perspectiva desta luta, foram criadas cooperativas populares habitacionais, garantindo o acesso à financiamentos públicos (onde havia políticas públicas de habitação popular) e buscando o fortalecimento do movimento. Este processo possibilitou o conhecimento e apropriação do cooperativismo pelo movimento popular. a imagem do cooperativismo na área rural, somente como empresas de grande porte, muitas vezes responsável pelas péssimas condições de vida de pequenos agricultores, é modificada.
Na década de 1990, com o aumento dos índices de desemprego e da precarizacão do trabalho formal, a economia informal cresceu em todo país. Fruto da política econômica vigente no país e da ausência de políticas públicas voltadas para o emprego, o número de postos formais de trabalho decresce e a privatização das empresas estatais faz subir de forma significativa o número de trabalhadores que buscam formas alternativas de sobrevivência.
É neste contexto que grupos organizados passam a ver no cooperativismo, organização autogestionária e solidária de trabalhadores, um instrumento capaz de responder a suas necessidades, Surgem, de forma ainda incipiente, e em diversas regiões do país, experiências pontuais de cooperativas populares.
Em 1995 com a criação da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, pela COPPE-UFRJ, estabeleceu-se um marco da história do Cooperativismo Popular no Brasil contribuindo para a difusão e o fortalecimento deste movimento no país.
A metodologia de incubação de cooperativas populares, criada pela ITCP/ COPPE, impulsionou a criação, junto à Financiadora de Estudos e Projetos- FINEP e a Fundação Banco do Brasil, do Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares-Proninc, previsto para fomentar a implantação de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares nas Universidades. Hoje este modelo de Incubadoras foi replicado para quase todos os Estados da União.
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Origens das ITCPs no Brasil
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